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O Autor

Osvaldo Morais

Osvaldo Morais é contista, poeta, artista plástico, professor, especialista em informática educacional, autor e diretor teatral.
Coautor da coletânea de poesias Nova Era, em 1990, no Rio de Janeiro. Entre 1996 e 1998, foi finalista do Festival de Inverno da Bahia, sendo vencedor do troféu de 1997. A partir do ano 2000 escreveu e dirigiu peças teatrais, através de um projeto de teatro popular, com apresentações em escolas, instituições confessionais, espaços de eventos, dentre outros, em mais de 30 municípios baianos.
Como contista e poeta, tem diversos trabalhos publicados em revistas e jornais.

O livro

Este livro de contos é uma proposta para o entendimento íntimo, através de reflexões colhidas nas suas histórias inspiradoras e cativantes, presentes no cotidiano e no imaginário do universo humano. O semeador é aquele que espalha por onde passa as próximas colheitas, boas ou más, em uma quase infinda cadeia de causas e efeitos.
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Primeiro Capítulo

Primeiro Capítulo

Sementes Pretéritas


"São sementes de outrora
plantadas, muito embora
que nem sempre em jardim."

Detalhes da Publicação

» Tipo: Encadernado
» Editora: Scortecci Editora
» Ano: 2015
» Edição:
» Gênero: Contos
» Formato: 14 x 21 cm
» Capa: Cartão
» Lombada: Quadrada
» Tipo de papel: Avena
» Número de páginas: 112
» Preço: R$28,00

Trechos

Tempos Passados
"O outro dia amanheceu enlouquecido, o padre procurou o prefeito, que procurou o juiz, que por sua vez procurou o delegado... Aí aconteceu o óbvio: os componentes do grupo tiveram que prestar depoimentos sobre o caso. A cidade fervia de comentários.
— O pessoal do Karcará foi preso!"

Coisasa da vida
"André ouvia calado, apalpando a areia e deixando escorrê-la por entre os dedos. Alguns minutos de silêncio. Doutor Tavares continuou:
— Eu sempre fiz com as coisas da vida isso que você faz com a areia, retém o que pode, sem perceber que tudo escorre por entre os dedos."

Fugas

"Como reação, dois filetes de lágrimas banharam meu rosto, abundantemente, pois sabia que aquele ato custaria parte do patrimônio familiar que ainda havia."

O Apontador
"Este quase lhe estendeu o objeto pedido quando se deparou com vários olhares acusadores a fitá-lo como que a dizer-lhe: “Não faça isso, não empresta a esse demônio!”. Então balbuciou apenas:
— Não."

Dois lados da vida
"Loi olhou o chão aos seus pés e pareceu fazer uma viagem interior. Refletiu por alguns segundos sem dizer nada. Por fim, falou:
— Meu caro amigo, preciso conhecer-te melhor."

Reminiscências
"— Acho que tem tudo a ver com o senhor, acho que todos nós vivemos hoje a consequência do que vivemos no pretérito.
Riu meio irônico e disse:
— Está falando de vidas passadas? Esta é a razão de ser, a confluência do estar e do ser? A possibilidade de expiar e reparar? Será que parte do que carrego são lembranças?
— ?"

A bailar
"Flaviano, ao ver-se em uma fotografia teve um espanto muito grande. — Sou eu! — disse eufórico — Que bacana! Levantou-se, envolto em alegria dantesca por estar em uma simples fotografia, pôs-se de pé olhando tudo, até os mínimos detalhes."

A buzina
"Pensaram que fosse um castigo e voltaram a brincar com seus velhos brinquedos, mas o que mais fez sucesso entre eles foi a buzina que passava de mão em mão, bastante requisitada.
— Fin, finrurim!
Para buzinar, fazendo ainda mais algazarra, eles estavam prontos."

O dia cinza
"O dia cinza precisou provocar árduas perambulações para que aquela pessoa pudesse clarear o seu próprio ser. Assim é a vida."

Peleja
"Na confusão, a moeda tinha caído pertinho de onde estavam. Ficou lá mesmo, brilhando sob o sol poente do Planalto Central. Estava lá, qualquer um poderia ver: cinco centavos! Bem, era essa a novidade. Mas, quando criamos uma grande confusão por tão pouco, ou mesmo quando esse pouco nem nos pertence, há aí alguma novidade?"


Trechos


Fugitivo
"Respirou profundamente, como que absorvendo energias e começou a andar na companhia daqueles homens humildes que não o deixaram sozinho nem quando corria deles."

Mundaréu
"— Entendi.
Entendi também que muitos sábios aparecem disfarçados de tabaréus, para que, desnudos das suas fantasias mundanas, das ilusões do poder e dos títulos acadêmicos, possam descobrir o verdadeiro mundo. Aprendi que o mundo é do tamanho da nossa compreensão."

O semeador do tempo
"O homem idoso olhou as pessoas à sua volta e perguntou:
— Por que calejam tanto vossos pés por longo caminho pedregoso? Para que outros mostrem o que está dentro de vós mesmos? Creio que cada um de vocês sabe as respostas!"

Flores esquecidas
"— Estranho... O antigo morador esqueceu aqui alguns vasos de flores lindas e viçosas. Precisa ver como são lindas!
— Preciso mesmo — respondi com um sorriso maroto. — Preciso demais ver essas flores.
— Então venha."

Um ponto no infinito
"Dircinha remoía suas angústias, insistindo em continuar presa ao seu passado. Seu quarto era apenas um ponto perdido no infinito."

Desterro
"Ainda ao lado do homem ferido, olhou para Mauro, que observava, de pé, e disse:
— Já sei o que devo fazer, meu amigo. Ninguém precisa do meu dinheiro, precisa que eu mesmo faça, que arregace as mangas e ajude! O dinheiro corrompe, mas a ação com amor faz a diferença!"

Invisibilidade
"— Será que estou morto? É por isso que ninguém me enxerga? Chego e não me notam, falo e ninguém me ouve, levanto a mão, mas sou invisível para as pessoas!
Ficou certo tempo fitando-se ao espelho, olhando de um lado para o outro e passando a mão no rosto para sentir seu próprio toque."

O Da Vinci
"Paulinha, tocada pela minha súbita sensibilidade, fez essa tríplice pergunta:
— É possível morrer de amor? Você amaria alguém assim? Que tipo de mulher você amaria desse jeito?
Era o momento certo, eu só precisaria responder corretamente e, certamente, diria que sim, o tipo de mulher seria como ela. Pronto, acabaria ali o meu penar, creio. Mas, eu disse apenas:
— Sei lá...
Sei lá? Essa expressão atormenta-me até hoje."

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